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Continuação de (1)… 

Em 1 Samuel, somos apresentados a Eli que serviu ao Senhor no tabernáculo como um sacerdote e juiz sobre Israel. No capítulo 2 verso 12  lemos sobre os seus dois filhos, Hofni e Finéias:

Os filhos de Eli eram perversos e não se interessavam pelas coisas do SENHOR.(BSP)

A perversidade deles não se deve a deixar de ir à igreja na qual, por sinal, eram pastores por uma ou duas vezes mas, pelo contrário roubavam dinheiro das ofertas (roubavam de Deus); guardavam e comiam os sacrificios destinados a Deus e, como se não bastasse mentiam relações sexuais com as mulheres que serviam fora do santuário. Mas, tudo isto era do conhecimento de Eli:

Era, porém, Eli já muito velho, e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel, e de como se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação. 1 Samuel 2:22  (ACF)

Para Eli, os relatórios que recebia sobre os filhos representavam momento de descerramento, honestamente sentiu na pele o que se dizia. Era tempo para Eli agir, tempo certo para corrigi-los, retirá-los do ministério e, impondo o temor do Senhor.

E disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? Pois ouço de todo este povo os vossos malefícios. Não, filhos meus, porque não é boa esta fama que ouço; fazeis transgredir o povo do Senhor. Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor, quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu pai, porque o Senhor os queria matar. 1 Samuel 2:23-25 (ACF)

Só isto?! Sim, disse tanta coisa mas, não tomou medida alguma; acção zero! Que nem um pai que diz ao seu filho após este cometer “Bem, na próxima…” ou “Se voltares a fazer isto…”ou “Desta vez vais ver…”. Basicamente, as Escrituras deixam claro que Eli não fez nada para impedi-los mesmo sendo o juiz da nação e o sacerdote principal no templo.

Mas, por que decidiu o caminho da passividade? Que motivações estavam por trás? Vemos despertamento e honestidade em Eli mas, não há acção pois escolheu o que era fácil em vez de Deus.

Por que…honras a teus filhos mais do que a mim…? 1 Samuel 2:29  (ACF)

O meu método passivo para agir em função dos princípios de Deus mostra que dou maior honra a alguma coisa (ou pessoa) do que a Ele.

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. 1 Coríntios 10:31

Ao me aperceber de que estava a falhar em várias áreas, foi fácil descobrir que não estava a honrar a Deus; estava a escolher alimentar a carne em vez de escolher viver para a glória de Deus. Este é o meu momento AHA ou DHA (despertamento, honestidade e acção) se preferirem.

As vezes o Senhor repreende-nos sobre um relacionamento fora dos seus princípios mas, decidimos não agir a respeito. Por que? Porque honrámos mais o(a) parceiro(a) mais do que a Deus. Ele nos convence sobre a necessidade de sermos generosos mas, ainda, não começamos a oferecer pois amamos o nosso dinheiro mais do que a Deus. Ele convence-nos a sermos lideres espirituais dos nossos lares, mas quando chegamos a casa nos pomos a ver o jogo na TV. Por que? Porque amamos mais o desporto do que a Deus.

Passividade revela que escolhemos alguma coisa ou alguém em detrimento de Deus.

Sabia que Eli teve outra chance? Confira 1 Samuel 3:11-14 e qual foi a resposta desta vez?… simplesmente não agiu:

…E disse ele: Ele é o Senhor; faça o que bem parecer aos seus olhos. 1 Samuel 3:18

Uau! Esta resposta parece ser espiritual, certo?…é passividade.

Continua…

Para ler a Parte 1 caso não o tenha feito, clique aqui por favor.

 

Kyle Idleman define AHA (do Inglês, AwakeningHonestyAction; DespertamentoHonestidadeAção, tradução livre) como um reconhecimento repentino que conduz a um momento de honestidade que produz mudança.

Passividade é um grande perigo que , geralmente, tem sido tratada levianamente. Para muitos a percepção do perigo é evidente apenas após ver as consequências da mesma sendo coroadas. Há um outro perigo (e não é o único) que caminha junto com a passividade deixei a sua descrição para o final e, se por acaso identificar-se neste artigo; não sinta vergonha ou algum receio, simplesmente admita-o, não fique apenas na reflexão mas, arrependa-se e pratique o que você sabe que deve fazer.

Este ano tem sido extremamente complicado para mim devido ao peso de trabalhos e responsabilidades, ou melhor, honestamente falando, devido ao exagerado espaço que dei à passividade pois de uma ou outra forma todos temos trabalhos e responsabilidades a desempenhar e não precisamos de acréscimos no tempo porque 24 horas para um dia já são suficientes em vez de um “quem me dera que o dia tivesse 26 ou 32 horas!”. A passividade chegou, partilhámos a mesma mesa, dei-lhe o privilegio de falar e, finalmente, acabou por convencer-me com as suas sugestões mascaradas. Só para citar algumas das várias consequências: relacionamento(s) quebrado(s); comunhão com Deus por renovar e manter fora do sistema religioso; pesquisas por escrever e publicar; dissertação por terminar; carta informativa por escrever; vários livros e artigos por ler e escrever os respectivos relatórios; pessoas por visitar; cursos por concluir; compromissos de evangelismo e discipulado por manter firmes e constantes;  feiras de emprego, testes e seminários perdidos; hábitos e costumes que parecem simples mas, dificilmente se mantêm contantes… a lista continua. Para piorar, muitos desses eventos, que ja deviam fazer parte de um estilo de vida, têm prazos. Na verdade, eu fui sendo alertado por Deus, professores, amigos, colegas, circunstâncias… a respeito deste perigo mas, lembra daquela situações em que se apercebe que procede mal e que deve tomar outro rumo porém,…simplesmente deixa p’ra lá e insiste em ouvir a consciência acusando-o; chega, inclusive, a admitir consigo mesmo “sei que estou errado” e,…não faz nada para mudar a situação? Prefere ser passivo do que ativo!

Afinal, o que é passividade?! 

Segundo o dicionário Priberam, “passividade é a qualidade do que é passivo”; e este último, dependentemente do contexto deste artigo, significa “que não actua”, isto é, “indiferente, inerte”. Quantos foram prejudicados por não acatarem conselhos valiosos, ou pior quantos já não estão entre os vivos simplesmente por ignorarem as advertências das por agentes reguladores de trânsito, bombeiros, etc? No país onde resido, ocorrem terremotos e outros fenômenos naturais todos os anos, as instruções sobre como proteger-se, onde deslocar-se, o que levar consigo…são passadas desde a tenra idade; ja imaginou se num desses eventos o individuo simplesmente ignorar os alarmes?

Na realidade, eu acho que um passivo é alguém que vive do passado, gabando-se do que já fez ou viu e, até mesmo aquele que vive num estado de autopiedade por uma acção negativa do passado perpetrado contra ou por si, um autêntico museu ou enciclopédia móvel no sentido mau (podre…prontos a palavra soltou às teclas!) e prefere não aceitar mudanças. O que é isto que nos impede de agir de agir com grande senso de urgência? Em vez de sermos activos parece-nos natural sermos em responder passivamente. Geralmente, a tendência em vez de actuar tendemos a uma atitude (podre e cega) do tipo “estou certo que tudo acabará por si mesmo em bem”.

Apesar de a Bíblia não ser tão específica quanto a isto, acho que devo concordar com Kyle Idleman quando diz que passividade pode ser cuidadosamente descrita como o primeiro pecado que herdamos de Adão, que seria justo dizer que o primeiro pecado do ser humano não foi o comer da fruta, mas sim a passividade. Lembra quando Eva tirou a fruta? O que estava Adão a fazer? ou onde estava ele? De acordo com Gênesis 3:36, Adão estava aí com ela. Ele não disse nada; não fez nada; apenas ficou parado aí.

Continua…